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Os louros e a lama 27 Março, 2007

Posted by omagodasorte in Maguices.
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Andam por aí me chamando de louco. Dizem que sou um idealista, um sonhador de sonhos utópicos ufanistas. Acham um absurdo minha insistência em acreditar que o ser humano pode ser bom, que o mundo ainda tem jeito. Não tiro a razão de quem acha isso. Eles estão certos. Que mais sou eu além de um cara que ainda não viveu nada e tem a ousadia (quanto atrevimento!) de bater frente a frente com gente grande, experiente? Eu também acho tudo isso de mim, e não pensem que eu gosto de ser como sou. Adoraria não pensar tanto em pensamentos. Queria ser mais racional e menos “atrevido”.
O problema é que gosto de aprender as coisas vivendo e é como procuro aprendê-las. Nenhuma lição vale mais que ficar por um único dia exposto ao mundo, a tudo isso que vemos, vemos, vemos e nos conformamos a simplesmente ver, pensar um pouco e sair bradando a estupidez que é tentar consertar o que não dá mais certo. Tenho consciência do que eu deveria estar fazendo agora pelo mundo, em vez de satisfazer esse meu desejo virtual. Enquanto estou aqui muito bem acomodado, metade do planeta espera por minha mão, por minha compaixão, ou, se preferirem, pela minha (tão protestada) emoção. É essa minha luta. Ao contrário do que pensam aqueles que reclamam de minha utopia, não luto contra o capitalismo ou contra a sociedade. Aliás, AINDA não me julgo maduro o suficiente para batalhar contra nada. Luto pela vida e só isso. Só faço o que cada um de nós faz desde o momento que nasce. Mas acontece que quase ninguém tem o direito de lutar pela sua vida; direito esse que muitos de nós (in)voluntariamente retiramos em nosso próprio favorecimento. E o que eu quero é que, se nem todos podem lutar contra o resto da sociedade, que pelo menos tenham a chance de viver e ter motivos para viver.
Esta é a chave para o nosso mundo: bem mais que deixar o outro viver, deixá-lo poder viver. Isso não fui eu que inaugurei. Estamos cansados de ser avisados por tudo e todos desse lema. Mas o que fazemos? Atribuímos a culpa ao sistema, como não fosse o sistema resultado do que nós pensamos e fazemos. Sem essa de sistemas, sem essa de discursos profanos! O que importa não é cada um, é cada outro.
Sendo assim, resta-me dizer que é muito mais fácil escolher as respostas curtas e atender ao nosso coração. Difícil é enxergar no coração de quem está do nosso lado o que este deseja. É complicado, mas é o que eu penso que é certo. E eu não sou hipócrita; faço o que prego e não tenho medo do que venham a falar ou achar disso. Sou louco, sou idealista. Mas sou feliz por saber que luto pela minha vida e pela vida dos outros. Mas é muito pouco. Eu quero fazer muito mais do que meus modestos limites humanos me permitem fazer. Ao contrário do que pensam, eu não quero me destacar do rebanho, quero é me integrar cada vez mais a ele e tentar fazê-lo cada vez mais unido.